Medo de ser bonita


Medo de ser bonita.

Um tempo atrás estava num Congresso na Alemanha, andando na rua na companhia de duas amigas, quando disse a uma delas: "Vai mais devagar, estou de bota com salto e não consigo te acompanhar." Ela me respondeu: "Ah, Você gosta de tirar de gostosona, andando toda, toda..." Imediatamente e com paz no coração eu lhe disse: "Passei muitos anos me comportando com vergonha de mim, do meu corpo, como se algo estivesse errado no meu jeito de ser. Não vivo mais assim. Enquanto quiser andar de salto, vou andar chuchu, rsrs." Quando crianças não temos uma clara capacidade de discernimento quanto ao que dizem de nós e para nós, ou seja, filtramos muito pouco os comentários, bem ou mal intencionados, recebemos como verdades frases a respeito de nosso caráter, nossa índole. O que enfraquece nossa confiança em agir e decidir no que nos desafia depois na vida adulta. Não, não estou afirmando que uma criança para ser um adulto forte e feliz deva ser criado numa bolha de contemplação. Claro que não! A forja de nossa personalidade vem exatamente das experiências de vida a que fomos submetidos. No entanto, uma categoria de experiências afeta o cerne da inocência da nossa alma. Seja por um abuso sexual, seja moral, também por demasiada exposição aos traumas e neuroses vividas pelos adultos que cuidam da criança. Esse panorama pode fazer com que a criança se desenvolva com um temperamento colérico, "uma revoltada". No entanto, considero que o mais comum seja que essa criança desenvolva uma personalidade "superadaptada". Eu fui uma criança superadaptada. Num trabalho profundo de observações de crenças realizado com um professor alemão que se conduz a partir das forças do Zodíaco, eu pude trazer as frases que sustentavam as crenças inrustidas em mim. Essas frases são vividas, de forma inconsciente, e repercutem nas nossas ações, reações e comportamentos. São em outra medida, nossas desculpas pra não vivermos uma vida melhor, os sabotadores de plantão. Minhas frases eram: - Estou vendo o que não deveria ver; - eu tenho que ser perfeita; - eu escondo o que ameaça aparecer; - eu não atendo meus desejos; - eu tenho vergonha dos meus desejos; - você é um ovo podre (da onde ou de quem teria vindo essa imagem?); - eu me faço de boba pra não mostrar quem é o ovo podre (perceba a força de contenção da criança talvez não querendo expor os adultos que ama); - eu não mostro minha raiva para ser obediente; - eu sou a culpada disso, e a vergonha me mantém na dependência financeira dos homens. Avançando nas frases que vinham a partir de imagens ou lembranças, pude tomar contato com experiencias especificas: -" tenho medo de ser vista, tenho medo de ser bonita, só posso sobreviver se me submeter ao abuso." Consegui então, finalmente, exprimir frases de dor e raiva. E em seguida, por novas frases passei a devolver (essa é a palavra certa), devolver o que era de outras pessoas, sejam quem fossem, seja a razão que tiveram pra se determinarem como se determinaram. Compreendo hoje que vivi a repercussão da dor, abandono, rejeição ou injustiça daquelas pessoas. Então, o que fazer com isso agora? REACESSAR o cerne da inocência da nossa alma. Um convite a um longo processo de purificação, onde purificamos o Corpo das Emoções, ou o Corpo de Dor, como nomeia Eckartole, trata-se de tomar uma decisão. Reconhecer que há o trauma, sem no entanto, escorregar fundo demais no carma ou no drama. Perceber quando é esse corpo de dor que está "falando", me distinguir dele. Que necessidade minha não está sendo atendida quando esse corpo dói? A que mentira ainda nos apoiamos? Na terapia conduzida pelo meu professor, trouxemos as frases de cura : - "A verdade permeia meus pensamentos. Eu fico segura na verdade." "-Sou livre e totalmente capaz de me realizar financeiramente." E por fim, como parte desta terapia, realizamos um cancelamento espiritual desses vínculos deletérios nas minhas relações. Atenção, cancelamos o liame tóxico não as pessoas, elas permanecem, nos despojamos do vínculo funesto entre nós.

Não por acaso, no dia da Páscoa, durante esta tão inusitada situação social que estamos passando, me deparo novamente com essa frase de cancelamento num dos meus cadernos, e agradeço profundamente, a despeito de ter revisitado tão desafiantes lembranças, à minha família, o único lugar onde eu poderia me sujeitar e ser sujeitada a experienciar tudo o que experenciei, assim como foi, e poder agora, mais uma vez, DEIXAR IR. Sem pena, sem dó (de mim principalmente) e com um profundo Amor. Um amor que vê. Um Amor que vem de outra esfera. Celestial.

Minha frase de cancelamento é: "Eu cancelo, amorosamente, a pseudo autoridade, de qualquer pessoa decidir algo sobre minha vida, que não seja da minha vontade, e da minha realização. Minha vontade é soberana."

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Rita Paula Tyminski

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