Um dia o discurso muda


Um dia o discurso muda.

Dia desses, me peguei dizendo essa frase para uma pessoa, e imediatamente, percebi o efeito dela em mim mesma.

Notei que em mim, algo estava diferente.

Sinto que muitas vozes de fervorosos comandos silenciaram em mim. Vozes que antes, eu fazia um enorme esforço para que continuassem a ocupar um lugar de honra (sem ter consciência disso). Afinal, eu devia a elas estar onde eu estava, ser quem eu era.

Eram apegos: a uma idéia, a uma crença, a uma lenda familiar. E esses apegos vinham de contratos assinados pela mente emocional.


Todos nós vivemos firmando contratos emocionais.


O primeiro deles, e por uma questão de sobrevivência, é com nossa família, ou melhor, com o padrão de crenças da nossa família. O que, por um lado, é muito bom. São estes mesmos padrões que nos identificam com o espírito de nossa clã, com os seus mais caros valores, como a ética, a honestidade, o não matar, o não roubar, características essas forjadas pela vivência de muitas gerações deste clã. Mas, essas mesmas vivências, alimentam também padrões de medo, angústia e desconfiança.


E é assim que, tendo por base esse primeiro contrato, firmamos um segundo acordo, um pouco mais sutil na sua percepção: Me manterei leal a esses padrões.


Na verdade, esta lealdade é oculta, velada pela alma familiar, e se revela nos nossos comportamentos e nas nossas decisões.

Muitas vezes, em dinâmicas de Constelação familiar - o filho diz ao pai - Eu sigo você, papai.

Nesta simples afirmação está contida toda a questão da lealdade. Exemplificando, um pai teve na sua infância a morte precoce de seu pai, e pela necessidade de ajudar sua mãe, com irmãos menores, trabalha desde cedo, e tem um a vida dedicada a sua família, e pela própria conformidade com sua situação, de pobreza, de tempo escasso por dedicação aos seus, não realiza intentos próprios. Depois, quando tem um filho, este, por lealdade a este padrão familiar - labuta, honra na pobreza, - mantém-se fiel a mesma condição moral, ética e social do seu pai.


Podemos dizer que nas lealdades invisíveis, como no exemplo acima, - não se tem PERMISSÃO SISTÊMICA para um novo comportamento.


Como se eu não estivesse autorizado a ter mais, ser mais, fazer de outro modo, tomar diferentes decisões.


Como se a todo tempo, um código de conduta sistêmica viesse a tona e acionasse um alarme gritando: isso pode, aquilo não.


Parece que não somos tão suscetíveis a essas lealdades invisíveis, não é??

Mas somos sim, e bastante! E o mecanismo que atua nos mantendo ligados a nossos condicionamentos são os SABOTADORES internos.


Os sabotadores poderiam ser descritos como por exemplo, nos sentimentos de menos valia que se apossam de nós nas mais simples ocorrências. Na inapetência de falar numa sala de aula, de não conseguir colocar uma opinião, de dar todas as desculpas para não se decidir pela viagem dos sonhos, de não resolver-se por um trabalho que lhe fala mais a alma, de não entregar-se a um hobby, de acreditar em doença familiar, de sentir-se completamente dependente da família, de ser viciado em álcool, cigarro...


E dessa forma, nossos comportamentos vão refletindo esta atuação silenciosa das lealdades invisíveis: fazemos menos, ou não fazemos, ou ainda, fazemos muito, num esforço herculano, de superar esses entraves emocionais.


É intuitivo em nós que, as gerações que nos antecederam , fizeram o que fizeram, como fizeram, com as ferramentas emocionais e materiais que tinham a disposição, - FIZERAM O MELHOR QUE PUDERAM.-

Contudo, isso lhes causou as boas experiências e os traumas que ficaram registrados na memória da família, e o conjunto de toda obra foi herdados por nós, com os créditos e os débitos.


Talvez, o que não temos consciência, e esta é a grande inteligência dos sistemas familiares , é que o próprio instinto de sobrevivência que alimenta a nossa necessidade de pertencimento ao grupo familiar, tornando-nos leias ao que sustenta esse mesmo grupo, tanto para o bem como para o mal, também traz em si uma necessidade de progresso - leia-se: a nova geração já traz a disposição para fazer melhor que a anterior.


Ok, mas mesmo assim continuo tendo a lealdade que me retém - e diga-se aqui que a lealdade não saudável - é toda lealdade que diminui quem você é, e que restringe aquilo que você pode vir a ser, restringe sua magnificência, restringe sua ENERGIA VITAL - e isto não é saudável (1)

Essa lealdade restritiva (a um grupo, a uma pessoa) se dá para que de alguma forma se compensem as desonras e os desrespeitos àqueles que a sofreram.

Muito disto pode ser simplesmente lealdade às necessidades não contempladas de um dos pais. Ou melhor dizendo, lealdade a infelicidade do pai ou da mãe.

Assim, em termos práticos, frente as principais áreas, como saúde, carreira, relacionamento, riqueza, escolhemos por uma, mas não acessamos a outra. Temos a carreira, mas não temos o relacionamento. Porque não podemos ter mais que a mãe, ou mais que o pai, ou mais que os ancestrais.(2)


Contudo, essa lealdade começa a colapsar com a nossa habilidade de sermos mais felizes do que os que nos deram a vida.

E se essa habilidade vem de uma lei natural, a lei do progresso, mas será que estamos prontos a dizer:

- " Mamãe, me abençoe para que eu seja mais corajosa e mais feliz do que você pôde ser."

- Papai, sorria para mim, caso eu tenha a força de ser melhor sucedido que você, juntando sua coragem a minha.


Talvez ainda não?

Então perceba, até mesmo visualize, quantos tiveram que sofrer para que você pudesse prosperar.

Se nego tudo que veio antes - dor, lutas, colonização, nego quem eu sou.


E eu sou o produto da roda do destino - e sim, outros sofreram, portanto SE EU MINIMIZAR minha vida e obscurecer minha Luz, por causa desse sofrimento passado por outros - então isso fará com que todos esses movimentos, TODA A SOBREVIVÊNCIA ALCANÇADA - seja por nada. (3)


Se eu decido (mesmo que inconscientemente) sofrer por HONRA A ELES, essa é uma honra deslocada, inócua.


Então como posso me conduzir frente a lealdade invisível?

* Acolha tudo como foi,

* nomeie seus antepassados e seus feitos, bons ou ruins - não compete a você o julgamento, todos tem seu lugar na história familiar.

* Você sabe, da PROFUNDIDADE DO SEU SER, que seus ancestrais queriam que você prosperasse, apesar de tudo pelo que tiveram que passar.

* Vá ser feliz!


E assim, usando o antídoto do próprio veneno, a cura se opera, no seu tempo, e quando perceber, um dia o discurso muda.


Referencias -

(1), (2) e (3) - Youtube - Lealdades invisíveis - Shavasti (constelador norte americano) - Tradução René Schubert

A autora é formada em Direito - Universidade Estadual de Londrina

Facilitadora em Constelação Familiar em São Paulo/ capital e Londrina/Pr

Pós graduando em Constelações Familiares pela Hellinger Schulle












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