O arroz dorminhoco da mamãe


Quando eu era pequena, minha mãe trabalhava três períodos por dia, e logo no café da manhã, ela preparava uma panela de arroz pra ser servida no almoço. Como o arroz demorava pra ficar pronto, ela o cozinhava antes pra ganhar tempo e pra que ele ficasse quentinho, ela o embrulhava num cobertor e o punha pra dormir no forno. Hoje me lembrei com tanto carinho dessa época, de acordar o arroz no forninho, como minha mãe me pedia pra fazer.

Hoje compreendi a grande metáfora do arroz dorminhoco que minha mãe deixou como herança. Ela gestava seus sonhos. Não importava se os tempos não estavam pra peixe, se não havia orçamento pra uma empregada, se ela era incompreendida nas suas escolhas de trabalho. Ela não parava, e não se deixava parar. Ela colapsava seus desejos (mesmo desconhecendo na época essa palavra) e pagava o preço por eles. Agora nos meus pensamentos eu corro lá no forninho, pego na coberta ainda quentinha, sinto o calor e o cheiro do arroz fresquinho, e uma ideia me toma e me impulsiona: - não tem um jeito só de fazer dar certo.

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