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Dias Internacionais Hellinger/2019

 

 

Os filhos de Cesária 

 

Hellinger colocava em seus seminários que a pessoa nascida por Cesária não prossegue, não vai adiante, tem dúvida ou pouca força pro próximo passo. E meu coração se apertava. Tive meus dois filhos por Cesária.

Durante o Camp  uma das docentes da Hellinger na Alemanha, Susana, afirmou que pelas  Mulheres se faz possível a existência na Terra, que trazem em si dois portais, um na vagina  e outro na barriga. Tanto o parto normal quanto a Cesária (ainda mais a de emergência) são uma benção.

Então, por que Hellinger insistia naquela afirmação, se são, afinal, duas possibilidades de chegar a este plano? Por causa da observação nas constelações,  não pelo achismo. Reiteradas constelações mostravam por parte do constelado um movimento que indicava  dúvida , titubeante quanto a tomar um lugar, ou decidir-se por algo..

Susana traz o entendimento, também explicado por Hellinger, no livro Êxito na Vida, êxito na profissão, que o primeiro sucesso do ser humano é seu nascimento, é quando aquele lugar quente, de nutrição,  de íntima conexão com a mãe,  passa a ficar apertado, impelindo que o bebê siga o fluxo dos empuxos das contrações e passe pelo canal estreito do nascimento, numa   massagem vigorosa no corpo acompanhada de uma pressão, recebendo um influxo de sangue na cabeça. 

E em seguida, ao se separar da mãe, tem então que respirar, se individualizando, num segundo movimento de autonomia para vida. 

Quando vai para o peito da mãe,  toma agora uma outra mulher, pois começa uma nova relação, é preciso o esforço para a mamada,  é preciso demonstrar que se quer o leite.

O parto encerra um ritual de chegada.  A Cesária inibe parte desse ritual. Tanto para a mulher quanto pra criança. 

Quando fui ter meu primeiro filho, não apresentava nenhuma questão preocupante, e ouvi das médicas: - Você tem bacia estreita; - Não vai querer q seu filho sofra, né? Você teria que ficar horas aqui...Você não pretende ter muitos filhos mesmo, né? 

E quando fui ter o segundo, logo fui dizendo “- Este será de parto normal.” E a médica respondeu: “ Não é  muito seguro depois de uma Cesária, realizar o parto normal.”

No fundo, algo se aliviava em mim, não encontrava a segurança ou a entrega necessárias pra fazer valer o parto normal. Todas as mulheres da família na minha geração, haviam feito Cesária, e as que haviam tido parto normal eram enfáticas 

“- Você não precisa passar por isso.”

Anos atrás numa sessão com uma psicóloga muito querida, trouxe minha contrariedade em não ter tido os filhos como queria,

Ela, em seguida a uma breve pausa, pousou os olhos nos meus olhos e disse: “- Eu amei minhas duas cesarianas. Foram perfeitas pra mim.”

Essas palavras caíram como uma benção e uma rendição pra  mim. Eu também havia amado minhas Cesárias, afinal por elas havia recebido meus filhos, havia trazido eles a vida. Meu coração se encheu de Amor.

Hellinger não se referia ao amor, ele está lá. Sempre esteve.

 No entanto, uma abordagem abrupta, abreviada da cesariana, leva ao movimento interrompido para a mãe,  a criança é sacada de sua mãe, e já levada a limpeza e a medições, sem a chance imediata de repousar no peito da mãe, ouvir seu coração,  já conhecido seu, e confiar.

A essa interrupção abrupta segue -se o trauma. 

A mãe em geral, se desdobra em cuidados e carinho com seu filho, não se questiona isso. No entanto, o corpo guarda o trauma, a abreviação  de movimentos necessários para o fortalecimento de sua vontade, que será exercida no futuro, uma experiência de fazer por si, num tempo singular. 

Muitos casais decidem com os médicos, agendar  o nascimento das crianças. Os tempos de hoje são assim. Podemos também experimentar não agendar, e sim acompanhar, dar espaço e continência ao tempo natural. Um desafio. Mas também uma opção que tem recebido muitos adeptos nos últimos anos no Brasil.

Ok. E como agora acolher esse movimento interrompido,  retomar, restabelecer forças que são intrínsecas ao ser humano? Pelo corpo.  

Nos Dias Internacionais Hellinger, Sophie Hellinger nos conduziu por uma meditação, desde nossa concepção ao parto. Mergulhada nas imagens,  pude experienciar fortemente meu nascimento, senti o impulso a partir das minhas pernas, um espasmo involuntário, estiquei meus pés, me alongando,  minha respiração se abriu, suei, e chorei.  E no choro senti saudade,  seguida de  relaxamento e alívio.

Aos filhos da cesariana tem-se a maravilhosa possibilidade do Renascimento, experienciar a chegada a terra, pelo canal  do nascimento conduzido pelas palavras de um auxiliar. Uma, duas vezes, que se fizerem necessárias. A memória da separação abrupta vai dando espaço para a recondução. Uma experiência imaginativa poderosa.

Sophie Hellinger realizou um renascer numa das Constelações do Camp. A pessoa tinha muito medo. De perder a mãe, de adoecer. Colocado a representação  do medo na sua frente, a certa distância, e olhando para ele, e passo a passo caminhando até ele, rompendo o limiar da duvida, de uma certa fraqueza na vontade,  a pessoa chegou até os braços da representante, tendo espasmos nos músculos e respiração sôfrega. 

Para então, se render em seus braços, ir ao chão, e ser conduzida  num renascer, sem palavras, passando pra fora do abraço estreito da mãe , gritando, se esforçando pra se desvencilhar e sair. E em seguida, experimentou os braços de outra represente, também a mãe. E ali repousou.

Às crianças vindas por Cesária, medidas como acolhimento, longos e aconchegantes abraços (se elas deixarem), estímulo à movimentos de subida, descida, perninhas em atividades, água,  massinhas, areia.... e um olhar da mãe de reconecção,  e que também diz “- Você pode.”

Aos adultos  vindos por Cesária, uma nova compreensão se traz, não somos desprovidos de capacidade, vontade ou força de realização. Dentro de nós , a nossa disposição,  esperando emergir ainda mais potente,    temos mais  vontade, mais  coragem,  mais força de realização. Requer de nós,  agora, autoconhecimento, respiração meditativa e movimentos do corpo com essa intenção.

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Na foto do post, eu e meu segundo filho, nascido de cesárea

 

Autora

Rita Paula Tyminski 

Facilitadora em Constelação Familiar 

São Paulo,

Londrina e

Palhoça

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