É preciso zerar as questões com a mãe.


É preciso zerar as questões com a mãe .

As Constelações nos convidam muitas vezes a olhar de novo e de novo para a relação com nossa mãe. E nos perguntamos: - Mas de novo? Por quê?

No entanto, pai e mãe REPRESENTAM um portal. Estão no vão de passagem deste portal. Atrás dele, está nossa história familiar, e com ela, todas as dinâmicas conhecidas ou desconhecidas que podem trazer à luz e a compreensão as razões e as raízes de questões desafiantes vividas por nós nos dias de hoje.

Assim, o que o Campo das Constelações nos possibilita ver, como a dinâmica por trás de um relacionamento que pode ser tão desafiante com a genitora, é que por vezes, uma mãe não estava disponível ( como se pretendia) não porque não amava, mas por que não podia, ela olhava para outro lugar (metaforicamente, no interior daquele portal) para uma dor, para uma perda, para uma ausência. De quem? Talvez, da própria mãe, que também não estava disponível, por ex, por ter ela mesma perdido um outro filho, ou mesmo por nessa família, as mulheres serem solenes, sérias e não demonstrarem afeto, pelas reiteradas experiências de reprovação e exclusão dos desejos mais importantes delas, bem como de suas ancestrais. Assim, cuidavam, mas não externavam carícia aos filhos. Havia uma secura emocional.

E então, a presença dessa mãe não foi inteira para o filho mesmo que ela mesma se esforçasse para ficar presente .

Outras tantas vezes, o filho é chamado a ocupar o lugar de alguém que falta, como do próprio pai, seja por ausência deste ou por reprovação da mãe, e o filho então, se torna um adulto precoce. É a parentificação. Assumir o lugar de alguém da geração anterior. Um ônus. Ele se ressente geralmente pela falta de uma infância bem vivida quando cresce e tem que ser, agora sim, um adulto.

Até aqui esses exemplos trazem muitas reflexões, não? Cabe mais algum outro exemplo?

Pois bem, há casos em que a mãe possa estar identificada com algum sintoma familiar, como a neurose, a psicose, vivenciada ou como efeito por algum antepassado excluído, rechassado. Então, essa mãe apresenta uma vulnerabilidade emocional preocupante, muitas vezes, buscando mesmo a morte, de forma inconsciente, e fazendo que o filho por amor cego (incondicional ), queira salvar a mãe, tendo a criança sintomas graves físicos ou emocionais (transtorno de atenção, bulimia, auto flagelo, etc), como que dizendo: - Antes eu do que você, mãe.”

Saber que dinâmicas como essas podem ter sido o pano de fundo da história com nossa mãe, nos resolve a dor do passado? Não! Nos alivia um tanto, mas algo de fundo, uma dor, um sentido de injustiça, ainda persiste em nós, mesmo que lutemos contra ele, fazendo do limão a limonada.

Precisamos voltar no ambiente do trauma, o trauma se cura aonde ele ocorreu. E o corpo é o melhor instrumento pra isso. Nele está guardada a memória da dor, do abandona, da rejeição, da injustiça. Através dele, olhamos para o movimento interrompido para a mãe.

Muitas vezes, a própria mãe quer retomar o afeto, o movimento em direção a seu filho, mas ela sozinha não o acessa, no sentido de trazer a cura pra relação.

E para esse exercício de retorno à mãe, as Constelação são de muito ajuda.

No entanto, somos seres complexos, o mesmo trauma pode ser composto por camadas. E de tempo em tempo, alguma situação, algum relacionamento experimenta um estreitamento, um problema, e talvez seja o momento de olhar de novo pra primeira relação, pra relação mais íntima, pro paraíso perdido do útero materno.

Deixar vir a raiva, o choro, a catarse das emoções represadas ou mesmo desconhecidas.

Só então, podemos aceitar. Não tanto apenas no sentido religioso, para que eu não me sinta tão mesquinha ou orgulhosa em relação a minha mãe. Mas a tudo que foi como foi, a mãe foi meu destino, receptora do meu envoltório para que pudesse estar aqui e agora.

E olhar para esse vínculo e suas implicações, não mais apenas pra deixar com ela o que é dela, agora, com uma outra lucidez: purificando, com o coração. Uma a uma das imagens tóxicas, de dor, de indignação, deixando-as num espaço de total impotência: - eu não posso mudar nada.

Realizando essa purificação com humildade, me reconhecendo tão humana quanto minha mãe, me aproximando dela a medida que vou cometendo meus próprios erros, e me perguntar finalmente:

- Eu estou pronta pra reconhecer que minha mãe estava a serviço da Vida?

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Na foto eu e minha mãe natural, Genoveva, com quem retomei a relação depois de 40 anos. Ela e a Nair ( a mãe do coração) são as mães perfeitas pra mim. Muito obrigada!

Autora Rita Paula Tyminski

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