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Afinal, qual é o lugar da mãe?

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Costumava dizer que não me sentia casada até a chegada dos filhos. Antes, éramos dois adultos, cada um com seus compromissos, que partilhavam  uma vida em comum. Namorávamos, morando juntos. Com o anúncio da gravidez, como que um comunicado interno ressoou na família, um sino mesmo, que anunciava: -Venham todos, o bebê chega em breve, e por cuidado e carinho temos muito a dizer a essa nova mãe. 

Conselhos, dicas de como não fazer, de como fazer melhor, de como "você pega o jeito", acompanhadas, em mim, de mudanças num corpo de menina com a chegada de uma Madona, e os seios? Anunciavam que a ordenha estava próxima! Voluptuosos, rijos. O perímetro da cintura  não entrava em nenhuma roupa desejada, restavam as calças elásticas e blusões indianos, e Madre di  Dio, você passou por isso?! Os pés ficaram fora do campo de visão, e a médica assegurava que as meias kendal eram a melhor prevenção para as varizes, e da-lhe malabarismo para calçá-las!

No entanto, com a chegada desse ser a quem devo toda essa  epopéia, tudo ganha significado, e eu ganho o meu lugar: sou a mãe. 

Noites sem dormir, cólicas, falta de leite, seios em pedra. 

Nas Constelações se diz que hierarquicamente, o bebê pequeno ganha preferencia sobre o casal, enquanto da sua dependência. Nem precisava afirmar.  O marido cede muito espaço nesses primeiros dias, aliás, se torna um orgulhoso ajudante: pega frauda, leva frauda, segura o bebê enquanto a mãe vai ao banheiro, prepara um suco pra ela, pega o bebe de novo. Não, não há trauma, é o melhor dos mundos . Há um sentido de completude para o casal. O amor na forma de  filho.

 E os bebês tomam a mãe por inteiro.

Essa relação é simbiótica, uma proporção direta, a mãe está para o bebê assim como o bebê está para a mãe, até que....a criança completa seus três anos. 

Corro pra terapia: - Não aguento ouvir tantos nãos da minha filha!! Não pra entrar no banho, não pra sair do banho, não pra dormir,  não pro vestido, pra meia, não pra mim!!

A terapeuta olha em meus olhos e diz com tom de horas rodadas em consultas: -" Sua filha diz os nãos que você não disse em sua vida."

Que hora de puxar esse assunto! Tentando ser apenas mãe, me deparo com a minha criança. Espera, agora não dá! Volto pro lugar de mãe, essa afinal é a melhor que tá tendo.

Prossegue, e como vai rápido, logo outro filho, e as matriarcas de plantão, saem para o chá: -" Agora fica mais fácil, o segundo já sabe que é o segundo, não dá trabalho." Não sei das outras mães, mas o segundo realmente foi o segundo na minha casa.

Crescidinhos, com temperamentos opostos (já estavam escancarados os emaranhados familiares que meus filhos evidenciavam em seus comportamentos), e eu achando que era apenas  o transtorno de atenção e a melancolia, me deparava com  a lua e o sol  brincando juntos no tapete da sala. 

Retorno a terapia, agora pelas Constelações: - Olhar para a  própria mãe. No meu caso, trabalho dobrado, olhar as duas mães, a primeira e a segunda, e tomá-las, assim como foram. 

Ingenuidade minha, ignorava a primeira mãe, por sobrevivência, eu precisava me adaptar a nova família. Meu lugar estava desfocado, lentes grossas de miopia sentimental. Cobrava da minha filha a ausência da minha mãe natural. Era exigente e crítica. Entro em pós operatório da miopia emocional. Assim já está um pouco melhor.

Mas os caminhos da maternidade se assemelham ao fluxo das ramificações de uma rede metroviária. A mesma pessoa se esprai em muitos lugares!  Tem pessoa mais exigida? Seja pela cria, pelo marido, pelo ex marido,  pela mãe, avó, - a bisa não, ela já entendeu toda essa história. Todas essas posições convergem para a MÃE. Era pra se desconfiar, termos uma data fixa pra comemorar, um domingo, pra não deixar dúvida da importância do nosso papel. Vai ver é  um incentivo: - Desiste não! Tamo junto!

E chega a adolescência dos rebentos.  Agora o casal já retomou a preferência. Primeiro o casal, depois ser o pai e a mãe, um ao lado do outro. Desculpe, um passo atrás, estava ocupando o lugar que não era meu, talvez de filha, ou de mãe do marido.  De novo, uma correção na miopia sistêmica, dá trabalho não estar em seu lugar! Dá um alívio retomar o meu  lugar.

A mãe sabe tudo. Horários, remédios, pode ou não pode. No entanto, talvez não saiba que o filho deve ser delegado ao pai, em torno dos 11, 12 anos - o menino vai para o pai - no melhor estilo: Homens devem criar os homens. Para prevenir o malfadado "filhinho da mamãe". Mas por Deus, AONDE está escrito isso? Que a mãe prepara o filho para o pai?  

Quando olha para o filho e vê claramente que ele é 50% seu pai, e O aceita em seu filho, a mãe vê esse homem como homem, confia e diz "- Meu filho também pode ser homem.

Alô?! Companheiras do tricô!!  "-Olha o nível de responsabilidade dessa mãe!"

E as meninas, claro, em torno dos sete, entram na esfera do pai - do social - contudo, precisam retornar a mãe, em torno dos 18 a 20 anos, para se apropriar do SER MULHER. Aqui se previne a chamada princesinha do papai.  Hay que  regresar a las lobas, aquelas que tudo sabem. É, eu sei que é o certo. Agora!

A elasticidade orgânica, mental e espiritual,  própria da natureza da mulher me assegura que sou habilitada para essas demandas. Necessário se apropriar dela, então. 

 Os filhos crescem, chegam a mocidade,  e essa mãe pode ainda se sentir imbuída de fazer algo mais, dar algo mais, dizer algo mais. Pode ser um excesso. E, neste excesso, não libera o filho, o retem. Estaremos sempre, na medida do possível, alí para nossos filhos. Afinal, Somos uma família. No entanto, não é disso que se trata. 

Uma mãe no intuito de "preciso ajudar" pode estar comunicando internamente ao seu filho: - Você ainda não está pronto. Você ainda precisa de mim, de seu pai. Ou, o que definitivamente não fazemos deliberadamente, mas podemos estar subliminarmente comunicando: "-Não quero que você seja como seu pai."  "-Não faça como seu pai, não é bom."  - Você ainda não é capaz."

Essas são as mensagens veladas que chegam aos filhos, e eles reagem com raiva ou revolta a essa mãe, que se apresenta tão dedicada.

Nova correção de rota... meu lugar de mãe é mais simples que isso tudo. É mais quieto. Talvez requeira, como de fato requer, um exercício. Um exercício de frequente realinhamento. Eu no meu lugar sinto leveza, e dele posso trazer  algo com BOM HUMOR, sim!! É o que nos falta muitas vezes no trato com os filhos!

E aqui, tem algo de espetacular que podemos aprender com os homens, com os pais, em geral, eles  olham, dizem, falam e FAZEM o essencial com os filhos.  Podemos aprender muito observando as atitudes dos homens. É  o Yin, princípio feminino, buscando o equilíbrio ma contraposição do Yang, princípio masculino. 
Aliás, nesse equilíbrio começo a me sentir num tailleur feito sob medida, tenho elegância. Por certo, muitas vezes, como mães experimentamos a descompostura física e emocional, e isso é muito sério, colegas!  Somos acometidas de verdadeiras neuroses por tomar pra nós um encargo, ou mesmo um destino, que quero ver consertado, rearranjado. É em vão. Nossos filhos nasceram com a força suficiente para suas experiências, subestimá-los seria enfraquecê-los, ou mesmo, tirar deles a RESPONSABILIDADE sobre si. 

Ok, e quando eu reconheço que  estou no meu lugar?

Estruturalmente, assim como observado pelas Constelações, os filhos ocupam, a partir do coração da mãe, o lado esquerdo dela. Alí o filho tem força, aqui a mãe está em seu lugar e pode auxiliar.

Para que eu mãe esteja nesse lugar de mais leveza, onde suporto e me conduzo, preciso olhar para minha mãe, uma, outra, terceira e tantas vezes, e tomar dela a vida como ela me foi passada. Me é o suficiente. E nesse lugar de filha, não cabe mais o julgamento ou a crítica, eu LIBERO nossa relação disso. Eu me libero. Lembre-se, como eu disse, é um exercício, um realinhamento constante de coordenadas emocionais. 

Faço o mesmo com o pai, tomo, libero. E com o pai algo de especial nos é reservado. Este reconhecer nos expande, nos empodera, nos esquenta as veias. 

Assim, sim.

Olho pro filho, pra filha e do meu lugar sinto o fluxo. É vida. É amor. 

Eles estão agora adiante de mim e seguem o fluxo. 

Digo Sim ao meu lugar. Sou apenas a mãe. E isso é grande. 

 

 

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A autora é advogada

Facilitadora em Constelações familiares

Master em PNL

Pós graduando em Constelações Familiares pela Hellinger Schule

Atende em São Paulo - capital e Londrina - Pr

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

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