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O que é a má Consciência nas Constelações Familiares

March 29, 2017

 

Ao ver o  filme Nise - O coração da loucura,  fui impactada.  De um lado,  com a crueza de certos médicos, no trato com o emocional insondável das enfermidades psíquicas,  e por outro, pelo olhar futurista, sensível e clarividente da médica Nise, que trouxe ao ambiente repulsivo e nauseante de um  hospital psiquiátrico, uma nova perspectiva  de tratamentos pela terapia ocupacional : oferecer ao cliente um ambiente de expressão artística com a mínima interferência.

 

A proposta inovadora  de Nise (discípula de Jung - que em suas cartas se referia a ela como homem) era que a partir da manifestação artística do doente, fosse sendo contada uma história, sua trajetória de dor e de perdas, ou então que a tinta e o barro fossem veículos para que o inconsciente trabalhasse e liberasse suas  memórias de dor ( Imagens do Inconsciente, como foi conhecido o  trabalho de Nise).

 

Nise exerceu a má consciência.

 

 Bert Hellinger, nas constelações familiares, trouxe o conceito do que chamou de  má consciência em paralelo a boa consciência.

A boa consciência é o lugar conhecido, são as velhas verdades. A má consciência é o novo, as novas verdades.

 

" A verdade que nos faz progredir é ousada e nova, pois oculta o seu fim, como a semente oculta a árvore. Só sobre as  verdades velhas é que sabemos muitas coisas."

 

Quando estou na boa consciência, eu PERTENÇO ao meu sistema familiar, e mesmo de maneira inconsciente, eu completo meu clã familiar, e envolvido pelo medo de que este sistema se rompa,  eu ocupo, por vezes, o lugar do outro, me substituindo ao seu destino.  E como tenho medo, quero "consertar as coisas", então preciso me assegurar quanto ao que vai acontecer, assim, por vezes, tenho premonições, prognósticos de fatalidades futuras.

 

Quando adentro a má consciência, estou em outra dimensão, que não tem a ver com a informação conhecida da boa consciência, olhamos para uma informação que não estava presente (imergimos no campo quântico), pois aqui na nova consciência, a incerteza e a indeterminação são suas característica principais. 

Na boa consciência, o padrão familiar nutre meus comportamentos, e é neste campo que me capacito, desenvolvo competências, mas também de forma automática reproduzo condicionamentos familiares, pois aqui o amor é cego ( "eu por você", " eu no seu lugar", ¨faço isso por você").

 

Na má consciência a partir do antigo conhecimento, me lanço às possibilidades,  a quais possibilidades?  Não sabemos !! É uma surpresa!! Como estamos no campo das incertezas posso experienciar : "isso ou algo ainda melhor"!

Na má consciência o Amor é claro, não ocupo o lugar do outro, porque NÃO CUMPRO AS EXPECTATIVAS, - "Não sou a mãe ideal". E sim - " Sou a melhor mãe pra você

 

Na boa consciência, podemos estar retidos no mundo das ilusões, da fantasia, - só olho o que falta, - quando adentramos na má consciência, permitimos que a natureza dos sonhos se cumpram, não as ilusões, e por quê se cumprem? PORQUE NA MÁ CONSCIÊNCIA NÃO QUEREMOS CONSERTAR NADA. 

 

Assim como ocorreu  no filme, Nise traz para seu ambiente algo novo, rechaçado por seus pares, que pediam a ela a confirmação de que seu método sim, traria certa e determinada cura, contudo, como Nise estava no campo da CONTINUIDADE, não podia dizer qual seria seu desfecho, se essa seria A solução, mas que já se sabia que a abordagem daquela terapia artística trazia um novo estado espiritual ao paciente.

Muitas vezes, quando nós trazemos aos nossos pares  algo, a partir de uma outra consciência, também somos incompreendidos e, até mesmo segregados, por confrontarmos a boa consciência, que se quer ver protegida.

 

Então... teríamos que romper com a boa consciência pra adentrar as novas possibilidades?

Não!

Graças a boa consciência, sobrevivemos como espécie, pertencemos a um  sistema familiar e, é a ela que sempre retornamos, pois é nossa origem, nosso berço.

Quando tomo tudo que veio, como herança, destino, a partir da boa consciência, posso adentrar a má consciência, e  encarar a REALIDADE,  diluindo as ilusões. 

E neste autoconhecimento, minha visão de mundo e meus atos ganham outra seriedade e uma força nova.

 

 Sofremos tanto com as ilusões ( e as desilusões), com os prognósticos de perda, com o excessivo controle, que nos segmentamos, nos polarizamos.

Muitas vezes optamos romper  com a família, com  pessoas ou com o  passado, procurando a nova consciência, e acabamos por "cair" no mesmo círculo vicioso de conhecidos padrões e condicionamentos que tanto queremos  negar.

Somar a má consciência à boa consciência.  Não excluir.

 

Não é estático, é um movimento de ir e vir - inspirar (boa consciência), expirar (má consciência). Como um oito deitado, no fluxo de um movimento.

 

E nesse passo não ajo apenas compulsivamente, passo a saber o que fazer, a partir de uma intuição, e não me movo mais apenas por um sentido premonitório, medroso.

 

E no dizer de Nise da Silveira - " As coisas não são ultrapassadas facilmente, são transformadas."

Para que as transformações aconteçam, não preciso escolher um lado, com se o outro fosse o errado, necessário se faz integrar a boa e a má consciência, como  um caudaloso rio que recebe sua força de seus afluentes. 

 

E imaginando que a própria Nise já conhecesse intuitivamente a amplitude dessas duas consciências, termino este texto com palavras dela, ditas nos últimos anos de vida:

 

" Há mil modos de pertencer à vida, e de lutar pela sua época."

 

 

* este texto foi concebido a partir de leituras de livros de Bert Hellinger, e de seminários de formação em Constelação Familiar  na Hellinger Schulle, bem como pela pesquisa da biografia de Nise da Silveira, e do filme - Nise - no coração da loucura.

 

Muito obrigada, muito obrigada, muito obrigada!!

 

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