Me deixo levar pelo borrão de tinta


Um professor universitário chega para sua sala de alunos e diz que farão uma prova surpresa, em seguida entrega a eles um papel em branco contendo um borrão de tinta no centro, pede então que dissertem sobre o que vêem .

Passado o tempo, os alunos entregam as folhas e o professor lê o conteúdo das escritas, e comenta que, todos os alunos, sem exceção, fizeram dissertações sobre o pequeno borrão no meio do papel , e que, nenhum deles havia mencionado o branco da folha, que era, em verdade o maior conteúdo daquela folha.

Por certo, quantas vezes nos apegamos aos detalhes das coisas, e acabamos tomando a coisa toda por uma pequena parte dela?

Olhamos o tempo fechado e dizemos : que dia feio. E não reconhecemos que dias assim nos trazem, muitas vezes, uma temperatura mais amena .

Olhamos pra mesa de comida e reclamamos: de novo isso? E não nos tocamos que falta a nós fazer o pedido por algo novo, porque o outro não pode adivinhar!

Temos uma frequente exigência para que coisas fiquem diferentes e pessoas façam diferente, "porque assim seria o ideal."

Voltando ao borrão, perceba sua presença na folha, é incômoda, não é? Porque afinal, gostamos das coisas ideais. Agora olhe para o mesmo borrão, e reconheça a utilidade dele: incomodar sua zona de conforto, seu lugar conhecido.

Muitas vezes uma pessoa que olha pra seu sistema familiar numa constelação, trazendo uma queixa de não pertencimento, raiva ou grande mágoa, se surpreende com a revelação de que ela estava presa emocionalmente a um evento passado que detonou esses sentimentos.

Vivendo desde então, uma projeção de uma situação ideal, onde algo errado tem que ser corrigido.

Por exemplo quando os pais se separam, um filho tem uma crítica em relação a um deles, e não consegue ter mais um relacionamento franco com esse genitor, pois lhe falta a percepção de que talvez, os motivos da separação sejam ainda mais íntimos, e ele desconheça essa verdade.

Tomando o borrão pelo branco do papel, o filho abre mão da relação com seu pai/mãe.

Dá pra amenizar esse impeto de tentarmos "encaixar" as pessoas e as coisas num ideal imaginário?

Sim. Perdendo o controle,

Sabendo que em tudo há um campo de indeterminação e de incerteza. Se me torno um observador, buscando ainda uma outra compreensão daquilo que me toca, minha exigência diminui,

Percebo TODO o branco da folha. Há um contentamento, a alma suaviza.

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Esse texto do borrão de tinta foi lido e muito bem explanado por um dos pastores da Comunidade de Cristãos em São Paulo, no início da Quaresma, e me trouxeram o insight para minhas próprias reflexões. Imensa gratidão!

A autora é formada em Direito - Universidade Estadual de Londrina

Facilitadora em Constelação Familiar em São Paulo/ capital e Londrina/Pr

Pós graduando em Constelações Familiares pela Hellinger Schulle

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